Vazio...
Os passos eram lentos, mas determinados. O espaço entre as entidades era curto, não mais que seis passos. Ambas as entidades andavam em uma linha circular mantendo os olhares fixos um ao outro e as palavras mantinham-se presas em seus lábios. Por um lado havia a arrogância no olhar, o desprezo, a superioridade perante aquele ser de asas negras. Por outro lado havia a certeza, a raiva contida, o pesar por aquela sacerdotisa.
Mil pragas poderiam ser rogadas, mas há muito aquele jogo se estendia.
Uma alma velha em um corpo jovem. Dona das certezas incertas que não deviam ser questionadas, mas o anjo de asas negras cerrava os punhos, mesmo tendo sua alma jovem perante aquela que possuía a alma tão negra quanto o abismo.
Muitas palavras tinham sido ditas em uma época de incertezas, que o anjo estava cego. Cego por seu código e sua determinação. Cego por tentar ajudar aqueles a quem protegia. Mas o anjo estava ficando cansado. Cansado das batalhas injustas e dos pedidos de socorro de prantos desesperados. Aquele que sempre colocou seu corpo para ser alvejado, possuía um ódio dormente que despertava em sua alma. As palavras começavam a surgirem amarguradas, quase monossilábicas, e ele sabia o que aquilo resultaria. Sabia o quão poderosas poderiam ser suas palavras acaso rogasse uma maldição para a alma da sacerdotisa. Mil anos mais se passariam e ela continuaria cega para as coisas que realmente importavam. O anjo dava as costas, relaxando os dedos e respirando fundo e um grito ecoava naquele curto espaço.
- Você nunca irá me superar!
O anjo de asas negras sequer voltava o olhar para a sacerdotisa, mas um fino sorrir surgiu em seus lábios.
- Eu já a superei! Este é o seu lamento.
O anjo então abandonava a sacerdotisa. Sabia que ainda tinham contas a acertar. Sabia que a sacerdotisa cerrava seus punhos, que seu sangue fervia. Mas, talvez tivesse que esperar mais mil anos para que as coisas se acertassem. Aquele ser de asas negras ainda podia ver o sorriso, ainda se lembrava daquele olhar, ainda sentia em sua pele o veneno que corroia a alma daquela mulher. Por tantas vezes a deixou se aproximar, tentou a perdoar, tentou mostrar a simplicidade das coisas. Uma alma jovem, porém sábia, que via seu mundo ser cobiçado. A única coisa que desejava, estava no abismo e até mesmo isso o anjo precisava tomar cuidado para manter seguro. Não por ciúmes, mas por temores. Medos que assombravam a alma daquele anjo e que destilavam o mais puro veneno deitado em um frasco.
Mais uma vez mergulhava no abismo e fechava suas asas em volta daquele rapaz. Um suspiro escapava, enquanto os olhos se fechavam no abraço que não podia ser sentido. Há tempos derramava suas lágrimas silenciosamente, sentido o olhar às suas costas que tentava arrancar daquela proteção o rapaz adormecido. Mil açoites o anjo sofria em suas costas, mas a sacerdotisa sabia que não teria mais aquele anjo a proteger. Não enquanto aquelas asas negras protegessem o rapaz.
Meus olhos erguiam-se ao relógio, o tempo corria e eu precisava encontrar o meu pequeno, sabia a mensagem contida no texto do Tyr Quentalë. Meus dedos tamborilaram no ar, enquanto um suspiro escapava de meu corpo. A mão repousava sobre a página. Era tão fácil arrancar aquelas palavras daquele livro. Manter aquilo apenas para a minha alma, mas eu também estava ficando cansada e a mão acaricia as páginas daquele livro que continha boa parte de minha alma.
- Que eles vejam a verdade. Que você possa mostrar a eles o que eu vi.Repouso um suave beijo na capa do livro, repousando-o entre meus braços em um carinhoso abraço. Tal qual o anjo de asas negras com seu protegido.
Mil pragas poderiam ser rogadas, mas há muito aquele jogo se estendia.
Uma alma velha em um corpo jovem. Dona das certezas incertas que não deviam ser questionadas, mas o anjo de asas negras cerrava os punhos, mesmo tendo sua alma jovem perante aquela que possuía a alma tão negra quanto o abismo.
Muitas palavras tinham sido ditas em uma época de incertezas, que o anjo estava cego. Cego por seu código e sua determinação. Cego por tentar ajudar aqueles a quem protegia. Mas o anjo estava ficando cansado. Cansado das batalhas injustas e dos pedidos de socorro de prantos desesperados. Aquele que sempre colocou seu corpo para ser alvejado, possuía um ódio dormente que despertava em sua alma. As palavras começavam a surgirem amarguradas, quase monossilábicas, e ele sabia o que aquilo resultaria. Sabia o quão poderosas poderiam ser suas palavras acaso rogasse uma maldição para a alma da sacerdotisa. Mil anos mais se passariam e ela continuaria cega para as coisas que realmente importavam. O anjo dava as costas, relaxando os dedos e respirando fundo e um grito ecoava naquele curto espaço.
- Você nunca irá me superar!
O anjo de asas negras sequer voltava o olhar para a sacerdotisa, mas um fino sorrir surgiu em seus lábios.
- Eu já a superei! Este é o seu lamento.
O anjo então abandonava a sacerdotisa. Sabia que ainda tinham contas a acertar. Sabia que a sacerdotisa cerrava seus punhos, que seu sangue fervia. Mas, talvez tivesse que esperar mais mil anos para que as coisas se acertassem. Aquele ser de asas negras ainda podia ver o sorriso, ainda se lembrava daquele olhar, ainda sentia em sua pele o veneno que corroia a alma daquela mulher. Por tantas vezes a deixou se aproximar, tentou a perdoar, tentou mostrar a simplicidade das coisas. Uma alma jovem, porém sábia, que via seu mundo ser cobiçado. A única coisa que desejava, estava no abismo e até mesmo isso o anjo precisava tomar cuidado para manter seguro. Não por ciúmes, mas por temores. Medos que assombravam a alma daquele anjo e que destilavam o mais puro veneno deitado em um frasco.
Mais uma vez mergulhava no abismo e fechava suas asas em volta daquele rapaz. Um suspiro escapava, enquanto os olhos se fechavam no abraço que não podia ser sentido. Há tempos derramava suas lágrimas silenciosamente, sentido o olhar às suas costas que tentava arrancar daquela proteção o rapaz adormecido. Mil açoites o anjo sofria em suas costas, mas a sacerdotisa sabia que não teria mais aquele anjo a proteger. Não enquanto aquelas asas negras protegessem o rapaz.
Meus olhos erguiam-se ao relógio, o tempo corria e eu precisava encontrar o meu pequeno, sabia a mensagem contida no texto do Tyr Quentalë. Meus dedos tamborilaram no ar, enquanto um suspiro escapava de meu corpo. A mão repousava sobre a página. Era tão fácil arrancar aquelas palavras daquele livro. Manter aquilo apenas para a minha alma, mas eu também estava ficando cansada e a mão acaricia as páginas daquele livro que continha boa parte de minha alma.
- Que eles vejam a verdade. Que você possa mostrar a eles o que eu vi.Repouso um suave beijo na capa do livro, repousando-o entre meus braços em um carinhoso abraço. Tal qual o anjo de asas negras com seu protegido.
Premiações



8 Comments:
Lindo teu texto!!Triste,mas profundo.Sabe que eu até queria ter esse anjo negro como protetor.Um beijo e linda semana!!!
Obrigada...
Não sabes o bem que ler teus contos fazem.
Abraços!
Brunah.
E que bem...Opa bem não benção, já cansei de Dizer vc não é uma rainha uma imperatriz ou uma sábia...Vc é uma Deusa uma Grande Deusa benevolente e amavel que veio ao mundo para abençoar com seus versos e escritos seres como eu que são um tanto quanto obscurecidos por dentro e que precisam de pessoas como vc para ganharem aquele brilho especial...
O Anjo é apenas o reflexo de algo maior..e é por isso q ele está tocando as pessoas que o leem...Ele reflete aquilo q nós não queremos ver...
Beijos Linda Dama
de quem te ama: Luna
Tyr, nao sei se posso dizer místico, mas encantador, o texto, isso afirmo com certeza. E nesse duelo com o anjo de asas negras e a entidade, você seria a mediação, a sensatez...
Beijos, gostei de ter lido.
P.S. - vim antes, mas meu comp. tá com problemas com o blogger. Demora a abrir e às vezes nem abre.
hehe...voltei!
Aff.....desculpa a demora, professora..... hahaha..estive lendo os outros comentários...Nossa... São só elogios, mas não é para menos né? Sim, sim e sim.....ótimo texto... Será que todos temo algum anjo nos protegendo, tendo ele asas negras ou não? Quem pode saber né??
beijos....um beijão ^_^
Por que??Por que vc pode ser adorada e amada smepre e eu não?
Me diz por queeee!
Rubia, realmente o seu conto é um universo atentador que de uma certa maneira se une ao meu universo das sombras, é muito bom como um anjo negro que sou me ver retratado dessa forma, sombrio sim mas nunca mal, esse sou eu. Anjo amigo, sei que não costumo vir neste teu universo, mas isso éra em decadas passadas, estarei sempre revisitando o seu mundo pois ele faz parte do meu. Te adoro. Gallicio Death
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