Anjos...
Foi há muito tempo atrás...
Os conflitos haviam se iniciado e as discussões tornavam-se infindáveis. Palavras e mais palavras eram ditas e nenhuma verdade era afirmada. O círculo se desmanchava por mais que alguns tentassem manter a união daqueles anjos tão distintos. Asas brancas, asas cinzas e asas negras. As brancas às vezes alvas, variavam seus tons até chegarem as cinzas. Já as tonalidades cinzas iam das mais claras até as mais escuras antes de tornarem-se negras e as negras pareciam opacas e às vezes pareciam tão vivas quanto o ouro negro da discórdia incutida na humanidade. Havia os anjos que mantinham-se silenciosos, ponderando sobre as coisas que estavam ainda por vir. Havia aqueles que defendiam de forma cega e sofrida, mesmo tendo outros que vociferavam suas palavras contra os demais. Havia os que derramavam lágrimas, também silenciosos, sentindo as feridas que carregavam em seus corpos. Havia os traiçoeiros, com vozes sibilantes a hipnotizar aqueles que escutavam suas vozes. Havia os fortes que bradavam suas palavras, sendo escutados por muitos e seguros daquilo que faziam. Havia os vingativos que muitas vezes esperavam o momento certo para cravar suas espadas ou lanças nos corpos dos desavisados. Mas, no fundo estavam todos dentro do mesmo círculo. Algo os ligava e os mantinham unidos.
Tantas coisas aconteciam naquele tempo que um dos Anjos de asas negras escutou a voz de um dos anjos traiçoeiros. Por muito tempo ficou a escutar aquele sibilo, fechando suas asas e escutando apenas o entoar daquela voz. Anjo esse que foi silencioso, que bradou sua voz, que defendeu de forma cega e sofrida, mas que quando menos esperou teve suas asas feridas. Um golpe que lhe veio de forma traiçoeira que fez o anjo cair e sentir o amargo gosto de seu sangue nas feridas abertas. Tantos anjos tentaram impedir o ataque traiçoeiro, mas estava cego aquele anjo e o golpe veio de forma precisa.
Ódio. Raiva. Decepção. Desolação.
O círculo sofria um desfalque e muitos anjos caíram perante aquele momento. Com suas almas inquietas e feridas, muitos se afastaram e temiam olhar mais uma vez para aquele círculo abandonado e quebrado. A escuridão reinou e o Anjo de asas negras caminhou e cuidou daqueles que amava. Sentia suas asas a recuperar, mas muito ainda havia a trabalhar em sua alma e coração. Não apenas com as asas boas deveria ficar.
Foi há tanto tempo...
Suspirava o Anjo de asas negras, relembrando-se dos tempos de outrora. Lembrava-se de seus protegidos. Lembrava-se de outros anjos. Mexia suas asas negras, mesmo sabendo das cicatrizes escondidas e seus olhos ficavam perdidos devido aos pensamentos que povoavam sua mente. Um toque leve em seu ombro e o Anjo voltava seu olhar para quem tinha lhe tocado. O coração bateu forte. Não por alegria. Não por raiva. Mas por uma surpresa inesperada e em certo ponto esperada. Sorriu com os cantos dos lábios. Meneou a cabeça em negação, mas logo indicava o lugar ao lado. Os lábios mantiveram-se mudos. Olhares não eram trocados e nenhum toque mais fora trocado entre os anjos. Ambos observavam o horizonte e sabiam que ainda precisavam encerrar um assunto.
- No momento certo. - Murmurou o Anjo de asas negras.
O Outro apenas sorriu de modo fraco, erguendo e afirmando com um menear de cabeça.
Foi há tão pouco tempo...
Mais uma vez as asas negras se moviam, mesmo com suas cicatrizes escondidas. Nem mesmo a lua que subia devagar a linha do horizonte chamava a atenção do Anjo que ali ficara. Ele apenas abria a mão, observando sua palma. Os dedos fecham-se devagar e aquela mão é levada ao peito.
- Tudo ao seu tempo... - Murmurou em um suspirar, fechando os olhos já ao brilho da estrela-da-manhã.
Um sorriso singelo surge em meus lábios, ao ver as linhas escritas no Tyr Quentalë. Um passado que remetia a história do Anjo de Asas Negras.
- Achei que não mais surgiria.
Mas eu sei que muitas histórias ainda podem ser contadas com aquele Anjo tão especial. Assim como sei que tanto o Anjo, quanto o Tyr esperam apenas encontrarem um momento certo para que eu esteja preparada para ler as linhas que surgirão diante de meus olhos.
Os conflitos haviam se iniciado e as discussões tornavam-se infindáveis. Palavras e mais palavras eram ditas e nenhuma verdade era afirmada. O círculo se desmanchava por mais que alguns tentassem manter a união daqueles anjos tão distintos. Asas brancas, asas cinzas e asas negras. As brancas às vezes alvas, variavam seus tons até chegarem as cinzas. Já as tonalidades cinzas iam das mais claras até as mais escuras antes de tornarem-se negras e as negras pareciam opacas e às vezes pareciam tão vivas quanto o ouro negro da discórdia incutida na humanidade. Havia os anjos que mantinham-se silenciosos, ponderando sobre as coisas que estavam ainda por vir. Havia aqueles que defendiam de forma cega e sofrida, mesmo tendo outros que vociferavam suas palavras contra os demais. Havia os que derramavam lágrimas, também silenciosos, sentindo as feridas que carregavam em seus corpos. Havia os traiçoeiros, com vozes sibilantes a hipnotizar aqueles que escutavam suas vozes. Havia os fortes que bradavam suas palavras, sendo escutados por muitos e seguros daquilo que faziam. Havia os vingativos que muitas vezes esperavam o momento certo para cravar suas espadas ou lanças nos corpos dos desavisados. Mas, no fundo estavam todos dentro do mesmo círculo. Algo os ligava e os mantinham unidos.
Tantas coisas aconteciam naquele tempo que um dos Anjos de asas negras escutou a voz de um dos anjos traiçoeiros. Por muito tempo ficou a escutar aquele sibilo, fechando suas asas e escutando apenas o entoar daquela voz. Anjo esse que foi silencioso, que bradou sua voz, que defendeu de forma cega e sofrida, mas que quando menos esperou teve suas asas feridas. Um golpe que lhe veio de forma traiçoeira que fez o anjo cair e sentir o amargo gosto de seu sangue nas feridas abertas. Tantos anjos tentaram impedir o ataque traiçoeiro, mas estava cego aquele anjo e o golpe veio de forma precisa.
Ódio. Raiva. Decepção. Desolação.
O círculo sofria um desfalque e muitos anjos caíram perante aquele momento. Com suas almas inquietas e feridas, muitos se afastaram e temiam olhar mais uma vez para aquele círculo abandonado e quebrado. A escuridão reinou e o Anjo de asas negras caminhou e cuidou daqueles que amava. Sentia suas asas a recuperar, mas muito ainda havia a trabalhar em sua alma e coração. Não apenas com as asas boas deveria ficar.
Foi há tanto tempo...
Suspirava o Anjo de asas negras, relembrando-se dos tempos de outrora. Lembrava-se de seus protegidos. Lembrava-se de outros anjos. Mexia suas asas negras, mesmo sabendo das cicatrizes escondidas e seus olhos ficavam perdidos devido aos pensamentos que povoavam sua mente. Um toque leve em seu ombro e o Anjo voltava seu olhar para quem tinha lhe tocado. O coração bateu forte. Não por alegria. Não por raiva. Mas por uma surpresa inesperada e em certo ponto esperada. Sorriu com os cantos dos lábios. Meneou a cabeça em negação, mas logo indicava o lugar ao lado. Os lábios mantiveram-se mudos. Olhares não eram trocados e nenhum toque mais fora trocado entre os anjos. Ambos observavam o horizonte e sabiam que ainda precisavam encerrar um assunto.
- No momento certo. - Murmurou o Anjo de asas negras.
O Outro apenas sorriu de modo fraco, erguendo e afirmando com um menear de cabeça.
Foi há tão pouco tempo...
Mais uma vez as asas negras se moviam, mesmo com suas cicatrizes escondidas. Nem mesmo a lua que subia devagar a linha do horizonte chamava a atenção do Anjo que ali ficara. Ele apenas abria a mão, observando sua palma. Os dedos fecham-se devagar e aquela mão é levada ao peito.
- Tudo ao seu tempo... - Murmurou em um suspirar, fechando os olhos já ao brilho da estrela-da-manhã.
Um sorriso singelo surge em meus lábios, ao ver as linhas escritas no Tyr Quentalë. Um passado que remetia a história do Anjo de Asas Negras.
- Achei que não mais surgiria.
Mas eu sei que muitas histórias ainda podem ser contadas com aquele Anjo tão especial. Assim como sei que tanto o Anjo, quanto o Tyr esperam apenas encontrarem um momento certo para que eu esteja preparada para ler as linhas que surgirão diante de meus olhos.
Premiações



5 Comments:
Fiquei pensando nos anjos, visualizando suas penas em contraste, quase sentindo a textura macia de cada um.Seus textos sempre criam isso...essa sensação lívida de que aquilo pode ser tocado se esticarmos bem as mãos...
Mas, tudo ao seu tmepo...sábio aquele que sempre recitava esta palavras.Muito amor pra você, minha amiga querida, com seus maravilhosos textos, que sempre arrebatam as pessoas com as palavras, que possuem muita vida, além desta impressa na tela branca de um computador.
Mil abraços!
MARAVILHOSO!!!
Nossa, que lindooo!!Pude ver os anjos e todas as tonalidades de suas asas.Pobre anjo negro, atraiçoado dessa forma.Espero que a continuação venha logo, pois quero saber o que aguarda o Anjo Negro.Um beijo e linda semana!!!
Os anjos não passam de pessoas aladas...tão perfeitos e imperfeitos como somos... Talvez tivessemos sido anjos em algum tempo remoto, mas nos retiraram alguns poderes e arrancaram nossas asas.... Se pudesse voltar a ser um anjo, como seriam suas asas? Qual dos anjos seria?
Gostei muito do texto.... Não sei se fez o texto para ser visto como eu vi.... Com anjos tão parecido com pessoas, com o que somos ou o que podemos ser... mas essa é a maravilha das palavras, elas podem ser interpretadas de muitas formas pelo leitor....
Muito bem, professora....Gostei muito do texto....Demorei, mas apareci... ^_^...um grande beijo....Deixei um novo texto no meu blog....Beijão...e muitas felicidades...
H� muito tempo que n�o passo por aqui. Engra�ado que antes eu sentia o prazer de me ver entre os pequenos que escutam as historias do Tyr.. Depois que algumas coisas ocorrem, parece que as vezes algumas linhas possam doer. rs N�o sei. Enfim, minha irm� mais velha, belo texto, como sempre, nem preciso comentar. Creio que as palavras remetem cada um a uma experi�ncia vivida.
Beijos.
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