Quarta-feira, Novembro 15, 2006

Segredos

Os passos eram leves, quase a tocar as nuvens sem desmanchá-las. Com calma sentei-me às nuvens para sentir o vento a abraçar-me. O vento murmurando segredos que um dia foram escutados por mim, deixava que uma breve risada escapasse de meus lábios. Uma risada inocente que me enrubescia o rosto, trazendo-me a alegria que senti naquele dia. Segredava com o vento segredos para que fossem ouvidos por outro, mas sabia que tais segredos já haviam sido ouvidos por este outro. O sol tocava-me querendo mostrar um outro segredo e com o bailar do vento o sorriso alargou-se em meu rosto enquanto meus olhos observavam o segredo revelado. Segredos, segredos, segredos...
Meus braços enlaçavam minhas pernas e as estrelas estavam a me rodear. Como era gostoso o bailar que corria encontrando a luz do luar. Falávamos eu e a lua sobre os segredos que estavam no mar. A Lua contava-me histórias tão belas em seus braços a me embalar, mostrava-me o brilho das estrelas que eu pude ver em seu olhar. Eu suspirava a sorrir com uma noite que estava a seguir e uma vez mais pude rir com a surpresa trazida a mim.
Pequenas gotas caíam, trazidas lá do céu e os braços abri para sentir meu corpo se molhar. Respirava fundo o perfume que havia no ar, quão gostoso era poder ver novamente seu olhar. Mas seus olhos eu podia ver nas gotas das chuvas, gotas que me trouxeram palavras belas e murmuradas. Sussurram-me um novo segredo enrubescendo-me o rosto mais uma vez. O sorriso então voltava aos meus lábios e no girar de meu corpo eu gritava a sorrir. Gritava uma resposta que era levada pelos ventos. Acariciada pelas chuvas e que brilhava como a lua. Uma resposta que seria murmurada em seus ouvidos quando o sol tocasse sua pele mais uma vez. E peralta eu sorria, ao morder os meus lábios enquanto meus olhos viam o sorriso em teus lábios...

- Qual é o segredo que ela tanto segredou?
Meus olhos se voltam para os pequenos que escutaram a nova história do Tyr Quentalë e eu pude ver a curiosidade que havia naqueles olhares. Olhos que brilham como os brilhos das estrelas que no céu estão a enfeitar e mais uma noite surgia, para logo embalar-los nos sonhos que seriam trazidos pelo soprar das areias do sono. Com calma eu fecho o livro, observando aqueles olhos curiosos.
- Deixarei com que adivinhem!
Uma risada gostosa era solta após o meu comentário e pequenos resmungares compreendem que já estava tarde da noite.
- Boa noite pequeninos! Que Morpheus embale os seus sonos e que responda em seus sonhos aquilo que estão a procurar.
- Boa noite Mãe! Boa Noite Pai! Boa Noite Tyr Quentalë!
Respondem as crianças, confabulando em suas mentes qual era o grande segredo que a moça possuía no conto e com um sorriso pude escutar as palavras calmas soltas no ar.
- Eles não irão descansar enquanto não descobrirem o segredo.
Com um sorriso, ao guardar o Tyr na estante, pude observar aquele belo olhar.
- Você sabe...

5 Comments:

Anonymous LaZ said...

Ainda bem que voltaste!!! ^^~
Como sempre teus textos são maravilhosos! ^^ Dá até para se transportar para o cenário. Magnífico ^^~ .
KiSSuS da LaZ!! ;**
See ya! ^~

11:22 PM  
Anonymous Mary said...

Como sempre, vc se supera nos textos, Miguxa.Continue sempre assim, mostrando a todos o mundo nas páginas de seu Tyr Quentalë .

12:17 PM  
Anonymous sandman said...

*O perpétuo apenas sorri ao ler a história*

4:06 PM  
Anonymous rubo medina said...

Tyr, obrigada por estar sempre presente. Hj passei pra dizer que retornei. Amanhã volto pra ler.
Gosto muito dos seus comentários.
Abraços.

1:21 AM  
Anonymous rubo medina said...

Tyr, adoro esse tipo de texto que tem como cumplicidade a natureza. Tem um sabor especial de coisas eternas, coisas de Deus.
Fiquei feliz mesmo em lê-lo.
Beijos.

7:58 PM  

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